Torta de atum

 

Aqui no Brasil nunca fui uma grande consumidora de atum enlatado. Os americanos, porém, adoram atum e nos EUA eu aprendi a valorizar a versatilidade e praticidade de uma latinha de atum e não deixei mais faltar nem na despensa, nem no cardápio. Tuna salad (um tipo de sanduíche muito comum nos EUA) é uma delícia e super simples de fazer. Depois publico a receita aqui pra quem quiser aprender.

Essa torta de atum eu preparei meio que às pressas pra um dos encontros semanais do Filme Club aqui em casa. A receita é bem prática e fácil, apesar de eu não ter gostado muito do resultado – talvez porque só tenha feito essa vez e também porque meu forte mesmo são os doces. De qualquer forma, fica aqui pra quem quiser tentar em casa e melhorar a receita de acordo com seu paladar.

Marcio Mesquita

Foto: Marcio Mesquita

Torta de atum

Ingredientes:

1 e 1/2 pacote de biscoito água e sal (200g)

5 colheres (sopa) de manteiga

 

Recheio:

2 ovos

1 lata de creme de leite

1 lata de atum escorrido

Sal e pimenta do reino a gosto

1 tomate maduro sem sementes cortado em cubos

1 pimentão verde pequeno cortado em cubos

1 cenoura ralada

Triture o biscoito no liqüidificador e transfira para uma vasilha. Adicione a margarina e mexa com a ponta dos dedos ate obter uma farofa. Com ela, forre o fundo e as laterais de uma forma de aro removível de 26cm de diâmetro, apertando com as maos (como nao tenho forma de aro removível, fiz numa forma normal mesmo, so fica ruim de tirar o primeiro pedaço, mas da certo também). Bata no liqüidificador os ovos, o creme de leite, o atum, sal e pimenta ate ficar homogêneo. Adicione o tomate, o pimentão a cenoura e misture com uma colher. Despeje na forma e leve ao forno médio, preaquecido, por 30 minutos ou ate dourar. Desenforme e sirva.

Fonte: Revista Tortas de liqüidificador - Editora Alto Astral

Bom apetite!

Dezembro

Esta chegando dezembro. E o blog eh novo, mas a tradição eh antiga: nao posso deixar de vir aqui chorar minhas pitangas sobre o quanto eu detesto o mês de dezembro. Que espirito natalino que nada, dezembro pra mim so traz discórdia. Foi sempre assim. Estou chegando a conclusão de que dezembro sera sempre meu inferno astral (apesar de eu ser geminiana), nao importa em que parte do planeta eu esteja. Se eu estiver longe, sera ruim porque eu estou longe – afinal de contas, se eh pra sofrer eh melhor sofrer perto do apoio de quem se ama do que sofrer sozinho, concordam? Se eu estiver aqui, tanto pior – eh perto dos que a gente conhece e ama que a gente se sente mais peixe fora d’água por detestar um mês que todos amam de paixão.

Que fique bem claro: o pobre Cristo nao tem nada a ver com essa historia. Ele nao tem culpa por ter nascido, muito menos pelas pessoas quererem celebrar seu nascimento todos os anos. O problema eh o formato no qual as pessoas moldaram essa celebração – Cristo, coitado, eh o menos lembrado em seu próprio aniversario. O que eh lembrado de fato eh a obrigação de estar naquela festa, pois se você nao for as pessoas vao falar mal de você. Eh a obrigação de comparecer bem vestido e com pelo menos um presente nas maos, do contrario as pessoas (especialmente as que você nao vê desde o Natal passado e que invariavelmente ja vao comentar o quanto você engordou) também vao falar. O pior de tudo eh que essas situações nunca acontecem na minha própria família, pois a minha própria família nunca se reúne no Natal. O pior de tudo eh ter que passar por isso sempre em famílias alheias, onde você eh sempre exatamente isso: alheio. E ai, meu amigo, nao adianta vestido novo, maquiagem perfeita nem presente caro na mao – I’m so sorry to break the news, mas você ja eh alvo certo do falatório natalino.

O Natal sempre faz as pessoas sem família (ou por infortúnio da vida ou por opcao mesmo – como eu) se sentirem constrangidos. Porque Natal eh uma “festa de família” e se a sua família nao existe ou nao se reúne no Natal, tem alguma coisa muito errada com você. E se isso acontecesse apenas uma vez no ano, bem, a gente reunia toda a paciência e forca de vontade e ia na tal festa com a melhor mascara de carnaval. Mas acontece que Dezembro eh todo assim, um campo minado. E tem Natal da empresa, Natal dos ex-colegas do segundo grau, Natal dos ex-colegas da faculdade, Natal do (escreva aqui o nome do grupo social do qual você participa). Nao satisfeitas, ainda tem família que faz mais de um Natal. Sim, porque a disputa de onde sera a tal da ceia eh tao ferrenha, que ha que se fazer 2 ou 3 “natais” em casas e datas diferentes pra que nao haja mais discórdia no santo mes natalino. Ou ainda aquelas famílias perfeitas que se reúnem todo Natal, mas pra que tudo continue perfeito nao pode misturar “o lado do pai” e o “lado da mae”, entao tem um Natal pra cada lado, mesmo que o sagrado matrimonio afirme que após a cerimonia o casal passa a ser parte da mesma família, bem como suas respectivas famílias passam a ser uma so. Bom, ai vocês ja viram o tamanho da confusão, ja que cada pessoa tem dois lados na família e respectivamente cada um desses lados tem mais dois lados e assim sucessivamente. Cade a tal da união tao alardeada todo fim de ano?

Eu nunca consigo me preparar a altura pro mes de Dezembro. Relacionamentos importantes terminaram em Dezembro, decisões desafortunadas foram tomadas Dezembros a fio e meu jovem casamento de quase 4 anos quase nao resiste ao Dezembro passado. Esse ano, eu diria que estou mais calma por falta de opcao (sim, como na musica da finada Alcalina). Mas Dezembro nem bem chegou e as discórdias ja começaram a bater na minha porta. Poxa vida, e eu pensava que ainda tinha uma semaninha de paz.

No dia em que eu for alguém bem importante na nova ordem mundial, ai eu proíbo todas as ceias natalinas no mundo inteiro. Quem quiser comemorar o aniversario de Cristo vai ter que ir pra sua igreja/templo/mesquita/centro espirita e celebrar em oração e meditação – de preferencia em silencio, ja que pra se conversar com Cristo as palavras nao precisam ser ditas em voz alta. E os únicos presentes permitidos serao aqueles que realmente importam para o aniversariante: o amor genuíno, a sinceridade, as boas acoes, o perdão, a solidariedade. Sim, parece clichê, mas pra mim eh o mais próximo que se pode chegar da paz que Jesus tanto pregava e que as pessoas se empenham tanto em nao cumprir nesses Dezembros afora.

E enquanto eu nao me torno uma pessoa realmente importante na nova ordem mundial – coisa que dificilmente virei a ser – esse Dezembro me afogarei em trabalho e torcerei com afinco pra que no próximo dezembro eu esteja la no Canada, onde nao tenho família nem por opcao nem por obrigação.

14 meses

Carlos e Karina no ultimo encontro de futuros imigrantes Fortaleza/Canada            Foto by Daniel Gomes

Carlos e Karina no ultimo encontro de futuros imigrantes Fortaleza/Canada Foto by Daniel Gomes

Hoje nosso processo de imigração completa 14 meses de vida. Mais do que impaciência pela demora ou frustração por saber que os 16 meses que nos disseram na cartinha de abertura do processo sao uma estimativa totalmente furada, estou feliz por constatar que estamos mais perto do que longe. De qualquer forma, já decidimos que mesmo que o visto saia antes (o que acho pouco provável), so vamos mesmo a partir de marco do ano que vem.

Entao, agora e comemorar o aniversario da minha maezinha semana que vem, e dos amigos Diego e Ju na semana seguinte, começar a pensar nos presentes de Natal, e planejar para aproveitar bem o ultimo Reveillon antes da mudança.

Pra dizer a verdade, ja faz um tempinho que estou nessa fase de aproveitar tudo, cada segundo perto da família e dos amigos, cada data especial, cada passeio, como se fossem os últimos, e tem sido muito bom, tudo muito intenso.

Outro dia comentei com o Carlos que essa alegria era tao inesperada pra mim, que eu nunca pensei que fosse reencontrar felicidade aqui no Brasil, nunca pensei que eu pudesse vir a me sentir tao plena estando aqui. Mas também sei demais que o fato de ter consciência de que vai durar pouco, de que ja ja estamos indo embora outra vez faz toda a diferença. Esse é o tempero secreto da minha felicidade.

E sábado tem encontro Norte-Nordeste de Futuros Imigrantes ao Canada no Pasto e Pizza! Ja estou ansiosa, pois tenho certeza de que, como sempre, vai ser tudo de bom e mais um pouco!

Beijos a todos!

Mais um Garage Sale Bazar no Café Lua

 

Queridos amigos, como vocês bem sabem, desde que voltamos dos EUA temos organizado a cada 2 meses bazares de produtos importados e nacionais, novos e semi-novos, pra todos os gostos e todos os bolsos. Graças à presença de vocês e ao apoio dos nossos caríssimos amigos Lua, Ric, Tuana, Márcio e Lid, que têm nos dado uma ajuda inestimável na divulgação, montagem/desmontagem e registros fotográficos, os bazares tem sido um grande sucesso. Há tempos eu devo um agradecimento público a Lua, que tem feito um trabalho primoroso na elaboração dos panfletos e e-flyers, bem como nos presenteou com seus famosos quitutes quando comandou a cantina em uma das edições do bazar.

A última edição do Garage Sale Bazar foi dia 17 de julho, uma quinta feira, no Café Lua (que, apesar da concidencia, nao pertence a nossa amiga Lua), um café muito charmoso que fica em cima da livraria Lua Nova, em frente ao Shopping Benfica. Foi, por assim dizer, uma edição especial em todos os sentidos: foi menor que as edições anteriores, com um acervo mais limitado e o ambiente era mais convidativo a, entre uma compra e outra, sentar numa das mesinhas e degustar alguma das delícias oferecidas no menu. Não posso sair de lá sem tomar um dos frapuccinos divinos que eles preparam e, se tiver sorte, comer um pedaço da torta de doce de leite crocante, que é um pecado. Sempre que vou lá eu lembro da personagem da Juliette Binoche no filme Chocolate, pois o Café Lua é administrado pela Cristina, com a ajuda de sua mãe e também da filha, Yasmin. Ou seja, três gerações de mulheres que preparam com muito carinho e esmero cada um dos quitutes de lá.

O sucesso da nossa parceria com o Café Lua foi tanto, que haverá uma outra edição do bazar lá na próxima quinta-feira, dia 14 de agosto. Quem não foi na primeira não pode perder essa nova chance, hein!

 

Enfim, os Bazares são trabalhosos, mas valem muito a pena e vão deixar saudades. Pra gente, eles têm representado o momento de reunir nossos parentes e amigos e rever gente que não encontramos com tanta freqüência. Junto com o saldo financeiro ficam os bate-papos informais entre uma venda e outra, as boas risadas, o carinho e os momentos de descontração.

Pra quem ainda não pôde participar do Garage Sale Bazar e também pros que batem ponto em todas as edições, esperamos vocês por lá na quinta feira. Garanto que vocês não vão se arrepender!

Bisous a tous!

Ter amigos de verdade é a melhor coisa da vida!


Da esquerda para a direita: Ric, Lua, Carlos, eu, Marcio, Tuana, Ju e Molanda.

 

Uma das coisas que sempre sentimos falta quando morávamos nos EUA era de ter uma vida social mais ativa. Lá é meio complicado, não só pelas cargas horárias de trabalho pesadas como também pelo fato das pessoas terem folgas em dias diferentes da semana. Lá não existem sábados e domingos como aqui, onde as famílias se reúnem para um almoço, ou churrasco, ou para ir à praia, etc, pois dificilmente as folgas de cada membro da família e dos amigos coincidem. Espero de coração que nossa experiência no Canada nesse sentido seja diferente da que tivemos nos EUA. De antemão, tenho certeza que uma das coisas que mais sentirei falta quando for embora vai ser a vida social que construímos aqui desde que chegamos dos EUA.

Tudo aconteceu muito naturalmente, mas como não sou de acreditar em coincidências, sei que o Roteirista já tinha preparado lá em cima esse presente pra mim. Primeiro foram o Ricardo e a Luciana e uma vontade mútua de nos conhecermos pessoalmente, pois tanto eu quanto Carlos já havíamos colaborado com o extinto fanzine da Lua, o Albatroz, e já havíamos trocado cartas e e-mails com ela sem conhecê-la pessoalmente. AÍ quando voltamos pro Brasil eles foram jantar lá em casa e foi ótimo – Ricardo e Carlos foram feitos um pro outro. (Ainda bem que não somos ciumentas, né, Lua? ;c)

Depois vieram Márcio e Tuana, que já eram amigos meus de longa data e, por “coincidência”, também queriam ir morar no Canadá e acabaram embarcando nessa aventura com a gente. Outra “coincidência” maior ainda é que eles moram no mesmo prédio que o Ric e a Lua (que chama-se, pasmem, Portal do Canadá), mas também não se conheciam pessoalmente. Aí a coisa complicou um pouquinho, pois se o Ricardo e o Carlos estavam se dando maravilhosamente, chegou o Márcio pra atrapalhar a lua de mel dos dois. O Márcio gosta das mesmas coisas que o Carlos e o Ricardo (com exceção dos Pet Shop Boys, né , meninos?) e às vezes rola um ciuminho, mas no fim eles sempre acabam se entendendo. =cD

Por último chegaram Molanda e Ju, amigos antigos tanto do Márcio e da Tuana quanto meus também. O Molanda estudou comigo na faculdade e eles também querem ir pro Canadá. E pra complicar ainda mais a situação dos meninos, o Molanda tambem adora musica – ainda bem que ele eh mais eclético, se nao a ciumeira ia ser maior ainda! =cP

E dessa misturada de gente ótima nasceu o Filme Club – um motivo pra gente se encontrar, cada vez na casa de um dos casais, assistir um filme que é escolhido por uma pessoa determinada por sorteio no início de cada rodada e comer um monte de coisas gostosas.

A partir dai nos nao nos desgrudamos mais. Já se tornou rotina, pelo menos uma vez por semana, nos encontrarmos pra jantar, ou almoçar, ou lanchar, ou mesmo simplesmente ir tomar um sorvete e jogar conversa fora. E quase sempre somos “expulsos” dos lugares onde nos encontramos, pois chega a hora de fechar e o assunto das conversas nao acaba nunca. #c)

Essa turma vai deixar saudades demais! Já estamos negociando com Márcio e Tuana pra irmos morar na mesma cidade (Calgary ou Montreal). Tomara que cheguemos a um denominador comum, pois sendo maioria fica mais fácil convencermos Molanda e Ju a ir pra la também. Mas nossa campanha mais imediata no momento é convencer Ric e Lua a ir conosco morar no Canadá, afinal, só faltam eles e o Filme Club não pode acabar, né gente?

Sei é que eu dei muita sorte nessa vida e meu Roteirista maior é muito generoso e criativo, me deu uma vida fantástica cheia de “coincidências” maravilhosas e amigos ótimos pra dividir tudo isso comigo.

Feliz dia do amigo (atrasado) pra todos vocês!

Antes tarde do que nunca

 

Dia 3 de julho foi o aniversário do nosso processo de imigração. Uma data muito especial, onde celebramos o dia em que começamos oficialmente a perseguir o nosso grande sonho de morar em um lugar que ofereça toda a infra-estrutura necessária para termos qualidade de vida e podermos criar nossos futuros filhos com dignidade, segurança e conforto.

Com essa correria toda que eu descrevi aí no post anterior, a data quase passou em branco. Pelo menos compramos uns queijinhos, abrimos uma garrafa de vinho e brindamos os dois, em casa mesmo, o fato de sabermos que estamos mais perto do que longe do nosso objetivo. Mas como Deus nos proveu de amigos inigualáveis, ontem a Karina nos convidou para um jantarzinho em sua casa para comemorar de novo o aniversário do nosso processo, e dividir com eles essa alegria que eles conhecem tão bem.

Como sempre acontece em todos os nossos encontros, trocamos muitas informações e dicas muito válidas e aproveitamos para colher as opiniões e sugestões fresquinhas do Daniel e da Erica, recém chegados de Ottawa, e do Karlson e da Josy, via video conferencia pelo msn. Alem disso, é claro que nos divertimos bastante, demos boas risadas, abrimos outra garrafa de vinho e beliscamos muitos petiscos gostosos. Ou seja, foi uma comemoração e tanto, so tenho a agradecer e muito a Karina e ao André por terem sido os anfitriões de mais esse encontro maravilhoso, que vai ficar nas nossas lembrancas por muito e muito tempo. Vocês nao tem idéia do quanto esses encontros aliviam nossas angustias de futuros imigrantes e principalmente a ansiedade que temos para que o fim do processo chegue logo. Compartilhar é muito bom!

Estamos todos na torcida para que Karina e André e Daniel e Raquel recebam seu pedido de exames médicos em agosto, pois isso significaria que nós receberíamos o nosso dentro da previsão, em outubro (nossos processos tem apenas dois meses de distância entre eles).

Deixo com vocês um clique do Daniel, que registrou com primor cada momento desse encontro. 

Inicio do bate-papo que tivemos com o Karlson e a Josy no computador do André.

 

Beijos e boa semana a todos!

Quem procura…acha!

Quando saímos dos EUA ano passado, o plano inicial era encarar esse tempo entre Estados Unidos e Canadá aqui no Brasil como um “hiato” mesmo, um tempo de ficar sem fazer nada, só curtindo a família, os amigos, as comidinhas brasileiras, caminhadas na Beira-Mar regadas a água de coco, jogar muito vídeo-game, assistir muitos filmes, namorar tudo o que não tivemos direito na nossa vida americana com 2 empregos nas costas, etc. Mas aí o tempo foi passando, dia após dia, semana após semana, mês após mês… E quem disse que eu consegui ficar parada só em casa? Resolvi procurar um emprego que ocupasse a cabeça e, de preferência, o bolso também.

Como bem diz o ditado ai do titulo, demorou uns bons meses, mas acabei encontrando um emprego. Fui trabalhar numa empresa de “handling” lá no aeroporto – uma empresa que terceiriza todos os serviços necessários para se colocar uma aeronave no ar. Com isso quero dizer todos os serviços de “rampa” (lidar com as bagagens, bem como limpeza e abastecimento do avião, etc), check-in (atendimento a passageiro, auxílio ao departamento de imigração, embarcar e desembarcar menores desacompanhados, acompanhamento da tripulação do avião, etc), Lost Luggage (o setor mais temido da empresa, que lida com as malas extraviadas e seus donos revoltados) e loja (emissão, alteração de passagens e cobranças de taxas e multas).

A princípio tinha tudo para dar certo, por tratar-se de um trabalho dinâmico, interessante e onde de quebra eu iria praticar o inglês e o meu pouco francês. Mas infelizmente não rolou. Tive o azar de entrar em um momento delicado da empresa, muitos funcionários saindo, faltando sem aviso prévio, chegando atrasados… O que estava gerando uma grande sobrecarga nos poucos funcionários que estavam trabalhando direitinho – e como todo novato tem mais é que trabalhar direitinho, acabou sobrando pra gente. Enfim, pra quem estava procurando um passatempo, acabei encontrando uma atividade cansativa, estressante e nada divertida. Eu nunca tinha hora pra chegar em casa e o pobre marido estava ficando bem dizer um maior abandonado, assim como a casa (marido dono-de-casa vocês sabem como é, né? ;c) E quando eu abria a porta era o Carlos de um lado e a Mei do outro disputando minha atenção. Fiquei com pena dos dois e larguei o tão esperado emprego com apenas 17 dias trabalhados. Mas como bem diz um outro ditado, tudo vale a penas quando a alma não é pequena. Valeu a experiência e os amigos que fiz lá nesses poucos dias.

E como hoje estou cheia de ditados, tem outro que cabe aqui: há males que vem para o bem. Como na minha vida nunca acontece uma coisa de cada vez, é sempre tudoaomesmotempoagora, foi só eu começar a trabalhar lá no aeroporto que surgiu uma outra oportunidade, para treinar na Empresa de Praticagem aqui do Ceará. Aí vocês me perguntam: “praticagem? Que é isso?” Num dos meus manuais de treinamento diz assim: ” O serviço de praticagem é o conjunto de atividades de auxílio à navegação em áreas consideradas Zonas de Praticagem, onde existem peculiaridades locais que colocam em risco o livre trânsito das embarcações. A nossa Zona de de Praticagem compreende os portos do Mucuripe e Pecém.” Eu diria que a estação de praticagem está para o navio assim como a torre de controle de um aeroporto está para o avião. Nosso trabalho é colocar a agência (quem agencia os navios), os práticos (profissionais que realizam as manobras de atracação e desatracação dos navios – aqui no Ceará são seis ao todo) e os navios em contato, mantendo todos os profissionais envolvidos atualizados e o fluxo de informações sempre fluindo.

E aqui estou eu. Troquei os aviões pelos navios e até agora não me arrependi nem um pouco. Meu treinamento de 30 dias termina semana que vem, e quem sabe eu venha a cobrir as férias de um operador agora no mês de agosto. Estou torcendo por essa possibilidade, pois posso dizer que aqui encontrei o que procurava: um trabalho interessante onde pratico meu inglês e onde o turno é fixo, ou seja, nada disso de não ter hora pra sair ou de depender dos horários dos navios como eu dependia dos horários dos aviões lá no aeroporto. Isso sem mencionar os ótimos colegas, a vista maravilhosa e os pores do sol que são adicionais incalculáveis a um salário que já não é nada mal. Torçam por mim, gente!

E todas essas aventuras e desventuras explicam meu sumiço aqui do blog. Mas eu tô voltando, devagar e sempre. Deixo com vocês o último ditado do dia, um ditado náutico, como não poderia deixar de ser: navegar é preciso, viver não é preciso (aqui na praticagem foi que aprendi que esse preciso é sinônimo de “exato” e não de “necessário”).

Beijos pra vocês e até o próximo post!

Sobre o encontro

Quero so deixar registrado aqui no Cantinho que o ultimo encontro de futuros imigrantes (que dessa vez foi no salão de festas aqui do prédio) foi muito bacana.

Apesar das dificuldades técnicas no inicio do encontro, posso dizer que foi um absoluto sucesso e ate onde sei todo mundo gostou. Teve ate uma entrevista massa com uma moca muito simpática e extrovertida chamada Ingrid, conversando com a gente diretamente de Toronto, onde ela esta morando desde o inicio de fevereiro. Foi muito legal rever os amigos e fazer outros novos. Infelizmente todo mundo esqueceu a câmera em casa, entao as lembranças vao ficar guardadas so no coração mesmo.

Muito obrigada a todo mundo que participou e especialmente a Karina e ao André por nos proporcionarem mais esse encontro e o apoio de sempre.

Cheesecake de maracuja

Ultimamente tenho tomado gosto pela cozinha. Fico mais e mais viciada a cada elogio que recebo por um prato feito por mim. La nos EUA, como trabalhava em dois empregos, nunca sobrava muito tempo pra cozinhar. Espero que la no Canada seja diferente, e com apenas um emprego eu tenha tempo de frequentar a cozinha com mais assiduidade.

Vou aproveitar essa minha fase culinaria produtiva e postar umas receitinhas aqui pra voces. Quem me conhece sabe que so gosto de pratos que sejam rapidos e faceis de fazer, mas nem por isso deixem de ser saborosos e diferentes. Comida do dia a dia (arroz, macarrao, feijao e carne) nao eh comigo. So gosto de preparar tortas, quiches, paves, bolos, etc.

Inaugurando essa secao, deixo com voces uma receita deliciosa e pratica de cheesecake de maracuja que eu levei pra um encontro de amigos la na casa da mamae semana trasada – todo mundo provou e aprovou. Alem de tudo eh uma receita economica, pois leva ricota e requeijao ao inves do tradicional cream cheese. 

Eu adoro maracuja e ainda bem que nos EUA era facil de encontrar no supermercado o suco concentrado. Ja ouvi dizer que no Canada infelizmente eh diferente, entao vamos aproveitar bastante as delicias de maracuja enquanto podemos. Espero que voces gostem!

 

Lid Limaverde

Foto: Lid Limaverde

Cheesecake de maracuja

Ingredientes:

  • 1 pacote de biscoito maisena (200g)
  • 100g de manteiga (eu usei margarina e deu certo)
Recheio
  • 3 ovos
  • 1 lata de leite condensado
  • 250g de ricota amassada
  • 1 xicara (cha) de requeijao
  • 1/2 xicara (cha) de suco de maracuja concentrado
Cobertura
  • 1/3 de xicara (cha) de suco de maracuja concentrado
  • 1/2 lata de leite condensado
No liquidificador, triture o biscoito e transfira para uma tigela. Adicione a manteiga e mexa com a ponta dos dedos ate obter uma farofa. Com ela, forre o fundo e as laterais de uma forma de 22cm de diametro, apertando com uma colher. Leve a geladeira por 15 minutos.
Bata no liquidificador os ingredientes do recheio por 3 minutos ou ate obter uma consistencia cremosa. Coloque o recheio sobre a massa na forma e leve ao forno medio, preaquecido, por 45 minutos ou ate que, ao enfiar um palito, ele saia limpo. Retire do forno e deixe esfriar.
Para a cobertura, bata no liquidificador o suco de maracuja e o leite condensado por 1 minuto. Espalhe sobre o cheesecake e leve a geladeira por 3 horas antes de servir.
A receita parava por aqui, mas eu achei por bem acrescentar uma calda de maracuja que voce faz usando um maracuja medio (com as sementes), 4 colheres (sopa) de acucar e 1/4 de xicara de agua. Eh so misturar tudo em uma panelinha ate o acucar dissolver e depois levar em fogo brando ate ferver. Quando ferver, voce aumenta o fogo e mexe sem parar ate a calda ficar bem amarelada. Ai eh so esperar esfriar e espalhar sobre o cheesecake. Alem da decoracao ficar bacana, a calda azedinha cria um contraste com o doce da cobertura e deixa o cheesecake mais gostoso ainda. Experimentem!

Encontro do Processo Federal em Fortaleza

Eu ja estava com saudades dos encontros de futuros imigrantes aqui de Fortaleza, sempre muito bem organizados pela Karina. Nosso ultimo encontro, que contou com a ilustre presenca de Renato e Mildred, conversando conosco diretamente de Calgary atraves de videoconferencia, foi em marco. Foi muito bacana poder tirar varias duvidas e trocar ideias com eles, que foram muito simpaticos e solicitos.
E eh justamente esse o proposito de nossos encontros: trocar ideias, tirar duvidas, conhecer gente legal e quem sabe ate aqueles que virao a ser nossos futuros vizinhos. Por isso adorei quando a Karina me pediu ajuda pra organizar nosso proximo encontro, pois agora tenho uma boa ocupacao do meu vasto tempo livre.
O novo encontro do Processo Federal Simplificado sera no salao de festas aqui do predio a partir das 17:00 do dia 07 de junho. Como ja eh de costume, cada casal trara um prato e/ou refrigerante e/ou descartaveis. Se voce estiver aqui por Fortaleza no dia 07 e quiser participar, pode deixar um comentario aqui mesmo que eu entro em contato. Nao deixe de participar, tenho certeza de que vai ser muito valido e divertido para todos.

 


( Foto do primeiro encontro de imigrantes que eu e Carlos participamos, em setembro do ano passado. Nesse tempo nos eramos dois gordinhos recem chegados dos EUA – como pode-se perceber, eu ate sai na foto de boca cheia #c). Esse encontro organizado pela Ludmylla era misto (Processos Federal e Quebec) e foi onde eu conheci o Ruy, professor de frances que muitos meses depois me ajudou a passar no TEF.
Na foto: eu, Carlos, Marcio Mesquita, Tuana, Marcio Holanda e um pedacinho da Ju )

 

 

O que: Encontro dos futuros imigrantes de Fortaleza pelo Processo Federal Simplificado

Quando: sabado, dia 7 de junho de 2008, a partir das 17:00

Como: Confirme sua presenca e chegue munido de um prato (doce ou salgado) e/ou refrigerante e/ou descartaveis (pratos, copos, talheres e guardanapos) e disposicao pra reencontrar os amigos e conhecer gente bacana.

Quem: Aberto a qualquer pessoa que ja esteja no processo (Federal ou Quebec) ou esteja considerando ingressar no processo e precisa de informacoes pra tomar uma decisao.